Terça-feira, Agosto 08, 2006

Tem mais de ano que nos conhemos.
Há um dia, fechei a porta.
A chave ficou dentro do lado com mais pessoas
E eu, do lado da multidão.

Quinta-feira, Julho 20, 2006

Acorda nós

Acorda eu, acorda tu. Acorda tu, acorda eu. Amanhã, a tarde, acorda eu, acorda tu, acorda nós. Acorda eu, acorda tu, acorda nós e dorme e acorda e me acorda tu. Acordo eu em ti e acorda tu dentro de mim. Te acordo eu, me recordo nós e eu, e dorme e acorda tu e eu e come tua, eu tua flor e tu meu beija-flor...e dorme e acorda eu, acorda tu, acorda nós.

Terça-feira, Julho 18, 2006

Último Desejo
(Noel Rosa)

Nosso amor que eu não esqueço
E que teve o seu começo numa festa de São João
Morre hoje sem foguete, sem retrato e sem bilhete
Sem luar, sem violão
Perto de você me calo
Tudo penso e nada falo, tenho medo de chorar
Nunca mais quero o seu beijo
Mas meu último desejo você não pode negar
Se alguma pessoa amiga pedir que você lhe diga
Se você me quer ou não
Diga que você me adora, que você lamenta e chora a nossa separação
Às pessoas que eu detesto
Diga sempre que eu não presto, que meu lar é o botequim
E que eu arruinei sua vida
Que eu não mereço a comida que você pagou pra mim

Sexta-feira, Junho 16, 2006

A vida inteira...

Demora a vida inteira descobrir que não é que seus defeitos sejam intragáveis, é que o momento do outro é um qualquer-momento, em que as qualidade e os defeitos que você realmente tem não fazem a mais tênue diferença. Nem para mais, nem para muito menos, como você pensava.
Demora entender que você é sim "A" mulher, mesmo se perder na luta entre seu orgulho e a aquela certezazinha capenga de que sim, você vai conseguir modificar o jeito meio "galinha" dele.
Tudo demora mais ainda se você nasceu em dia da lua cheia, ao meio dia e seu primeiro sopro da vida veio cheio de impaciência, porque o "dotô" disse que ninguém devia nascer na hora do almoço.
As vezes, chega parecer que até o período de translação da Terra leva mais tempo que o tempo real, e que nenhum tempo é real...exceto o fim dos tempos, aquele tempo de doer coração.
Mas um belo dia...você escuta - sem ter feito n-a-d-a - que você, não só, faz parte dos pensamentos de alguém, como faz parte de todos os momentos, da parte de dentro do corpo... da vida dele.
O detalhe? Vem de quem sempre esteve perto, mas você nunca quis notar, porque ele estava fora dos seus "padrões".
Quando acontecer, você vai temer que aquilo seja verdadeiro, porque a felicidade também assusta e esse é o momento em que você escolhe acreditar ou não, porque mentiras sempre pairam às sombras do Onipotente*.
Mas se você acreditar...esteja certo de que vai achar muito absurdo ter pensado que não era a melhor pessoa do mundo, quando era mesmo a única.
*Ver Salmo 90 ou 91.

Segunda-feira, Maio 29, 2006

Esquecimentos acordados. Olhos adormecidos. Saudade vívida.

Agora que acordaram, meus esquecimentos têm feito estremecer o corpo e, de repente, me percebo envolvida em teu olhar contemplativo seguido daquele silêncio que fazias, aquele, que vinha logo antes de cada pronunciamento teu. Acordei, no mesmo ritmo dessa encantadora lentidão e com ânsia da tua doce devassidão.

Com força, tua felicidade violentou minhas ilusões e senti falta do que te fazia mais belo: teu vazio.

Ao abrir os olhos a *saudade surgiu como um revés de um parto e voltei a esquecer que tua beleza compunha-se de ausências cheias de presenças desconhecidas. E que não era a tua, a presença em minha cama naquela manhã de outono...

*Frase de Rubem Alves.

Quarta-feira, Maio 17, 2006

Quero-te em particular.
Quero encontrar você em particular. Num tal particular que articule os meus mais apropriados sinais e tuas mais doces grosserias masculinas.
Quero encontrar-te na minha esquina íntima, nos devaneios dos meus sonhos, nas tolices dos meus sorrisos, nos sobrepostos e sobretudos dos meus apostos e predicados.
Quero-te parte de minhas particularidades peculiares às minhas indecisões.
Quero-te no que em mim é particular a ti.
Querto-te dentro da nossa construção paralella.
Quero-te em tudo,
E mesmo sabendo que tudo já tenha mesmo a nossa cara pública de ser humano particular, quero-te na singularidade do hoje e nas similaridades cotidianas dos meses subsequentes em que, em particular, és meu tudo, meu mundo e meu modo em pormenores comuns.

Domingo, Maio 07, 2006

Sobre o que só o amor pode saber.
...
Por óbvio, então, somente ele há de saber o que ainda não disse.
Quando alcançá-lo, talvez me faça entender.
Até lá, desaponto-os. Nada há que ser declarado das mãos vazias cuja mente dispersa, dispensa palavreados e elocubrações vãs.